Não vale dizer que não existem palavras. Nem que foi sem querer. Foi muito bem pensado.
Do que não chorava para não demonstrar fraqueza ao manteiga derretida. Do que tinha medo de amar ao que sofre por ter afastado o amor. Do que disse nunca mais ao que pede agora. Do que queria um tempo ao que não quer mais nenhum segundo.
Os antigos afirmam, com razão, que não existe melhor óculos do que os com as lentes do tempo. Fui insensível, era eu. Não adianta negar. Desde que coloquei a cabeça no travesseiro, ele sussurra, torturando-me, uma simples palavra, com muito significado: príncipe.
Nunca aceitaria a verdade de que, logo, eu faria o papel de arrependido. De que eu traria o rabo entre as patas. Eu, criança mimada, te acusei de imaturidade. Imaturo. Me atormenta a ideia de não te ter de volta.
O tempo vai curar. Vai te trazer alguém que mereça o teu abraço, teu sorriso. Quanto ao travesseiro, guardará lágrimas por mais alguns dias, meses, anos. Um príncipe de verdade te espera, em qualquer uma dessas esquinas do tempo.
Minha banda preferida diz que é sempre amor, mesmo que mude. Não sei se pra ti ainda é amor. Talvez carinho. Sei que estranho a tua ausência. Minha bússola, sempre desorientada, perdeu o seu norte. Não sei andar sem te dar a mão. Nunca vou ter uma boa noite de sono sem um dia inteiro dos teus sorrisos. As vezes só quero pensar que o nosso amor não quebrou, que é de encaixar.
Te amo, te estranho.