Minha mão sempre convidativa correu teu corpo. Tua boca sempre receptiva mostrou-se contente. Tuas pernas chamaram as minhas, discretamente. Teus braços fizeram-se ninho para a minha saudade.
A saudade de poucos dias pesavam como anos. Confesso ter pensado que nunca olharia dentro dos teus olhos, esperando ouvir a tua voz, deixar que o teu sotaque entrasse pelo meu ouvido e chegasse a minha boca, fazendo-me sorrir. Tive medo de nunca mais ter teus beijos.
O quarto escuro, a cama de solteiro, as imagens religiosas e o relógio digital. Pensei que não haveria como existir romantismo ali. Estava enganado. Não existe lugar que, na tua presença, não se torne convidativo ao amor.
Deitei-me, abraçando-te. Senti o que os poetas chama de "ardor da paixão". Tinha que te sentir, precisava te tocar. Não fui cuidadoso ao deixar-me rastrear o teu corpo. Vi teu sorriso, pela luz fraca do relógio digital, que piscava incessantemente. Tuas pernas não demoraram a achar as minhas. Senti os teus braços correrem as minhas costas. Os nossos corpos estavam cada vez mais juntos, cada vez mais conectados um ao outro. As bocas encontraram-se, indicando então que este seria o nosso momento.
Movimentamo-nos tão naturalmente por aquela cama. Sentimo-nos tão suavemente em alguns momentos e tão vorazes em outros. Amamo-nos como se ama. Voltava então o sentimento que pensamos ter morrido.
-C.G.
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