quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Um cara comum

  Sou comum, uso óculos, meu cabelo não é engraçado. Acho que faço a linha meio de um adolescente solitário, rebelde sem causa, que prefere os livros ao agito das festas.

  Tenho um número consideravelmente bom de amigos, todos muito leais, pelos quais tenho grande apreço. Uns mais que os outros, confesso. Gosto dos que, por vezes, ficam alheios deste mundo e se jogam em um mundo só seu, os que me prendem com a sua escrita.

  Por que eu estou contando isso? Porque o relógio marca 3:03, vão fazer 20 dias desde que o meu escritor levou embora as suas palavras (e as minhas), dizendo que não tinha mais o mesmo sentimento, desejando-me sorte. Ora, desejar sorte para um cara comum, que usa óculos, não tem um cabelo engraçado e que está apaixonado por um rapaz que não sente o mesmo.

  Alguns amigos mais próximos disseram para eu esquecer, deixar ir embora. Eles nunca ficaram alheios a este mundo, costumam ir às festas. Eles não poderiam entender o que é fugir daqui e ir para um lugar melhor, onde todos os momentos são compartilhados com alguém especial, alguém com quem tu te sentes seguro, que sabe exatamente o que te dizer, que te surpreende com palavras e te enfeitiça com suas histórias. Nem saberiam como seria te tirarem isso, em uma madrugada de 20 dias atrás.

  Mergulho em novos livros, bem diferentes dos antigos, pra ver se, quem sabe, deixo de te encontrar nestes novos mundos. Por um tempo, até foges da minha mente. Mas basta eu sentar para escrever, pensar, ouvir uma boa música, ver um bom filme ou até presenciar uma cena engraçada do dia a dia que teu nome aparece. A partir dai, a saudade e a vontade de te ter só pra mim tomam conta.

 Disseste pra eu escrever sobre as minhas coisas, que eu sinto de verdade. Então, este é pra ti. De um cara comum, que usa óculos, não tem um cabelo engraçado e só pode te oferecer um mundo. 


- C.G.

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