Sabe quando tu olha pros lados e
percebe que está sozinho? Fala um pouco, esperando que alguém
responda, faz algumas coisas estúpidas, esperando alguma reação. E
só então entende que nada vai acontecer.
No inicio, disse pra mim mesmo que
estava tudo bem, posso viver sozinho. Afinal, quem precisa dos
outros? A felicidade mora no interior de cada um de nós, só
precisamos descobri-la! Não podemos deixar que a vida acabe por
estarmos sozinhos!
Depois de um certo tempo, eu ri dessa
palhaçada. Talvez até acreditando na premissa inicial, os outros
realmente pareceram não fazer muita diferença. Consigo fazer as
coisas sozinho, nem percebo que, ao acordar, não tem ninguém para
dar um sincero “Bom dia!”. Ou, ao dormir, desejar baixinho um
suave “Boa noite...”.
Agora, nesse estágio, só sinto uma
certa saudade do meu otimismo inicial. Nada parece se encaixar
direito. Tudo que aprendo quero compartilhar. Todas as coisas que eu
vejo quero comentar. É tão horrível estar sozinho, mesmo com
pessoas na tua volta. Não quero conversar com elas, não me
interesso pelo que elas pensam. Não sou um desses rebeldezinhos que
se acham superiores e se isolam por isso. Eu só não consigo mais
conversar da mesma forma, sentir do mesmo jeito. Alguma coisa mudou.
Quem sabe o grande problema da minha
vida seja justamente eu. As pessoas a minha volta são legais, por
que não me bastam? Talvez pelo fato de eu não ser interessante para
elas. Eu posso ser a parte fraca disso tudo. As coisas dão errado
por eu ser errado. Pra ser bem sincero, eu nem sei como terminar esse
texto, sabendo que serei o único leitor. Uma frase motivacional
seria hipocrisia, soaria falsa. Pedido pela morte seria exagero.
Terminarei com um ponto, esperando que a vida se encarregue de
torná-lo uma linha.
-C.G.
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