A incerteza do fim bate mais forte do
que uma traição flagrada ou que as palavras rudes que acabam com
tudo. Eu realmente não sei se devo te chamar. O pequeno Einstein
perdeu as respostas.
Nunca soubemos nos definir como amigos
ou namorados. Achávamos que deveríamos tentar deixar as coisas
correrem tranquilamente. Nem isso conseguimos. Dois apressados, que
querem se amar mas não fazem nem ideia de como começar. Querendo
cruzar um estado inteiro a pé, só pra poder ter um abraço,
encostando o narizinho gelado no pescoço do outro, só pra sentir o
cheiro mais de perto e ter certeza de que as coisas são reais.
Talvez tenha faltado isso. Não a
coragem literal de se atravessar um estado a pé ou a efetiva troca
de carinhos, mas alguma coisa mais louca, uma forma de mostrar que o
amor existe, que há motivos para acreditar e esperar o nosso dia
perfeito. Como não aconteceu, justificável que tenhamos errado (ou
até acertado, de outro ponto de vista) em outros braços.
Eu realmente não sei se acabou, mas
sei que não me sinto mais tão confortável pra falar. Quando tento
dizer que te amo, as palavras só se recusam a sair. Batem na ponta
da língua e voltam, trazendo consigo uma tristeza doída de verdade.
Talvez estivéssemos tentando descobrir até que ponto a falta que eu
sinto das nossas conversas poderia ser suficiente para que nos
mantivéssemos juntos. Tenho medo de termos descoberto agora.
Não devemos deixar de ficar com outras
pessoas por estarmos presos um ao outro. A fidelidade não tem nada a
ver com isso. Nesse tempo, não quis nem chegar perto de outra boca
porque nem sequer consigo cogitar essa ideia. Eu te tenho, ou tinha,
como único pra mim. Nenhum outro braço poderia me segurar senão o
teu. Qualquer outro carinho parecia fraco perto do que eu estava
esperando ter de ti.
Não tentando descobrir os motivos que
nos trouxeram aqui, mas as expectativas podem ter nos destruído.
Esperava mesmo, nos meus doces sonhos românticos, uma casinha no
campo em que dividiríamos com dois cachorros e um filho. Na minha
pouca idade, achava ter descoberto o grande amor de toda a minha
vida.
Estou desiludido, de verdade. Da mesma
maneira que uma criança deixa de ter o pai como herói, eu talvez
tenha deixado de te amar. Ou, talvez, seja só a tristeza e a
decepção ocupando o teu espaço.
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