Com o cigarro aceso, a luz fraca da manhã invadindo o quarto, com o teu corpo nu virado para a outra parede. Teu sono tão pesado, tua tranquilidade assustadora.
Deita na minha cama sem o menor remorso de saber que outra te espera, beija o meu corpo como beijou o de outro horas antes. Tuas curvas tão femininas, o rosto meigo e o sono inocente. Como consegue permanecer assim, disfarçando tantas histórias de horror?
Te conheci numa dessas esquinas, era só mais uma que cobrava o seu amor. Chegou como as outras, anunciando o preço pela janela do meu carro. Sentou no banco, mostrando o sexo tão banal, tão comum, tão cotidiano.
Ao te segurar nos meus braços, mergulhei na história que teus olhos escondiam. Vi a menina que brincava com suas bonecas, que tinha uma família, que viu tudo mudar de repente, que não viu outra saida a não ser as mãos grossas de um caminhoneiro sujo, a força bruta de um empresário que estava de passagem pela cidade ou até mesmo a solidão de um escritor mediocre.
A cada cama, uma história suja, um trauma, um medo diferente. O tempo corre, roubando o doce dos teus olhos, o mel da tua boca e o prazer do teu amor.
-C.G.
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