Se amavam, queriam o mundo juntos. Esperar pela aprovação dos pais era besteira, queriam amar.
O tempo passou, o preconceito aumentou, as brincadeiras machucaram, as palavras doeram e os olhares esconderam o amor que existia entre o jovem casal. Separaram-se, cada um caminhava só para a sua vida, fugindo dos julgamentos burros e agressivos.
Casou-se, agora com uma mulher, como mandava o figurino. Diz-se feliz para os pais, nunca sai de casa sem dar um doce e longo beijo na esposa e afagar os cabelos do filho. Trancar-se no banheiro do escritório para chorar também é rotina.
O outro vive sozinho, não encontrou amor maior e não contentou-se com a ilusão. Trabalha no que sempre sonhou, é um professor exemplar, ensina a matemática como ninguém. Sua rotinar é chegar em casa, ligar o seu DVD e passar o tempo com os musicais dos anos 90 e o seu gato Kitty.
O professor, cansado dos musicais repetidos, deixa o seu gato Kitty de lado, levanta do sofá e vai até a locadora próxima de sua casa. O agora respeitado homem de família dirige seu carro, afogando-se com as lágrimas que correm sem parar do seu rosto, vê a loja aberta, decide parar.
Entra no estabelecimento, vê as costas que um dia afagou, os cabelos que um dia acariciou, o pescoço que um dia beijou, o homem que um dia amou. Aproxima-se do amado desprevenido que está decidindo entre dois filmes, este olha para o lado. Não acredita no que está enxergando. Deixa-se tomar pela emoção e mergulha nas lágrimas do antigo amor.
Nem a matemática sempre bem ensinada pelo professor e nem os balanços feitos pelo respeitado pai de família podiam mensurar a força daquele abraço. As lágrimas se misturaram, voltaram ao tempo de suas vidas.
O abraço não supria a necessidade de carinho de todo aquele tempo distantes, beijaram-se apaixonadamente, ignorando o olhar da velha senhora que assistia espantada a cena. O homem respeitado voltava a sorrir, o professor descobria o que faltava na sua vida.
Divorciou-se da mulher, casou-se com o verdadeiro amor. Seu filho aceitou bem o fato de seu pai ter um marido, até estuda aos fins de semana com o novo padrasto. Os DVD's agora juntam poeira na estante do professor. Kitty está se acostumando com o novo pai que anda pela sua casa.
Nunca mais escutou-se o choro triste no banheiro do escritório. Nunca mais esqueceu-se de que, independente da velha senhora espantada, nada podia ser maior do que a sua felicidade.
- C.G.
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