Virou as costas, saiu pela porta. Soltei as minhas lágrimas, enquanto guardou as tuas.
Por que negar teu amor? Escreveste uma música pra mim, lembra? Dizias que era duro estar tão perto e não pode me sentir. Acreditei e senti cada verso da tua letra.
Vi a porta pesar uma tonelada ao fechar. Talvez, até tenha ouvido um choro baixinho se escondendo do outro lado. Na hora, não entendi.
Pensei por algumas noites. O que teria te levado pra longe de mim, de quem realmente te ama e te faz feliz? O medo de ser julgado, talvez. Seria difícil levar para a família amarrada ao preconceito um relacionamento tão diferente.
Quem sabe a tua justificativa, de um outro amor, um amor "comum"... Não, com certeza não foi esse o real motivo, não poderia existir amor maior do que mostrou, nada seria mais intenso do que eu senti e nunca vai existir nada mais lindo do que nós vivemos.
Medo da justiça divina? Dúvido! Deus nenhum se oporia ao amor puro. Que divindade teria raiva de sorrisos tão sinceros, de mãos que se entrelaçaram tão fortemente?
Partiste, com o fechar da porta, pra uma mentira. Não seremos felizes assim. Te prendes a um falso amor, que machuca, para manter as aparência para a tua família? Sei que tu não é como eles, nega o preconceito, volta pra mim. Te aguardo aqui, na mesma sala.
Confesso que outros abriram esta porta. Nenhum trouxe o mesmo sorriso. Não ouvi tom de voz que se igualasse ao teu. Não senti o teu toque. Ninguém abriu esta bendita porta da mesma maneira. Desisti, tranquei.
PS: Pendurei a chave desta porta no lugar, guardei no teu sorriso. Espero que voltes, a sala te espera.
- C.G.
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